Estamos estreando um novo quadro no Blog da Nação Rubro-Negra, no qual semanalmente estaremos entrevistando uma personalidade esportiva, a respeito de futebol e claro Flamengo.
O estreante do quadro " Se Vira nos 7 ", é o conhecido jornalista esportivo Carlos Alberto Parizzi, que reservou um tempinho para falar com a equipe do Blog, numa conversa altamente descontraída.
1 - Blog Nação Rubro-Negra : Parizzi, a partir de quando e por que o esporte passou apenas de um hobby em sua vida e virou uma profissão?
Carlos Alberto Parizzi: Na verdade o esporte sempre fez parte da minha vida. Desde menino sou praticante. Isto me levou a cursar Educação Física antes de ser jornalista. Findado o curso abri uma academia de ginástica que existe até hoje. Foi depois que resolvi fazer jornalismo e optei pelo jornalismo esportivo. Continuei a trabalhar na área de esportes só que com outra visão. A visão de jornalista. E graças a Educação Física ficou muito mais fácil comentar futebol, basquetebol, voleibol e outros esportes já que tinha conhecimentos específicos de cada esporte. Foi muito mais fácil.
2 - BNRN: Sabemos que além de trabalhar na área esportiva,o senhor também é escritor,administrador e até musico...olhando o passado e projetando um outro futuro, se não fosse jornalista,qual ramo seguiria?
Parizzi: Acho que, se não tivesse seguido jornalismo e educação física, a música seria minha outra opção. Gosto de praticar, até hoje ainda tenho um grupo de rock que se reúne para tocar em casa ou na casa de amigos. Tenho a música como paixão e ser músico com meu hobby mais gratificante.
3 - BNRN: Qual o seu jogo do Flamengo inesquecível?
Parizzi: Tive muitos, mas a decisão de 1963, quando ainda era menino e meu pai me levava ao Maracanã, ele rubro negro roxo. Foi a decisão Flamengo e Fluminense, com mais de 150 mil pessoas no estádio. O Flamengo foi campeão e um goleiro, que pouco é falado na história do Flamengo, Marcial, fez milagres para que a partida terminasse empatada e desse o título para a Gávea. Mas, sem dúvidas a final do Campeonato Mundial de Clubes, os jogos do time da “era Zico”, também marcaram minha memória de rubro negro.
4 - BNRN: Parizzi, qual sua opinião sobre o mandato até então da Presidente Patrícia Amorim à frente do Flamengo?
Parizzi: Começou hesitante, não tinha equipe para dirigir o clube, cometeu erros de quem não conhecia futebol, algumas declarações estapafúrdias e longe da gestão moderna que prometera nas eleições presidenciais. Passou por um ano turbulento com coisas extra campo (caso Bruno) , coisas no campo com problemas internos sérios dentro do elenco, dirigentes atrapalhados, enfim a beira do caos. Aos poucos começou a entender o clube, cercou-se de gente que conhece a Gávea, e hoje consegue algumas boas vitórias na sua administração. Mas não é o presidente que eu sonhava para o Flamengo. A gestão ainda é bem acanhada embora alguma coisa já esteja sendo feita na direção certa.
5 - BNRN: O senhor já viu o grande jogador Zico dentro das quatro linhas, e também já viu Zico como dirigente, falando como torcedor, gostaria de vê-lo um dia como presidente do clube?
Parizzi: Sinceramente não. Acho que o Zico deveria preservar sua imagem de ídolo rubro negro. Expor esta imagem, como ele expôs ao ser diretor, é uma opção que já mostrou não ser boa. Algumas pessoas confundiram o Zico grande jogador com o Zico dirigente e começaram a criticar o grande ídolo rubro negro. Por tudo que fez pelo Flamengo e o futebol brasileiro deveria conservar apenas o grande feito dentro das quatro linhas. Temos outros exemplos de ídolos que tiveram problemas administrando seus clubes de coração, mesmo sendo ídolos. Sou contra. Acho que o Zico que tem que ficar para a eternidade é o camisa 10.
6 - BNRN: Mestre, o Flamengo sempre foi conhecido com o lema "Craque o Flamengo faz em casa”, e na década de 80, foi provado isso com Zico, Júnior, Andrade, Adílio, Mozer, Tita, Leandro... Por que a geração que conquistou a 1ª Copa SP de futebol Jr. já na década de 90 como Paulo Nunes, Marcelinho Carioca, Djalminha que são ex-jogadores super conhecidos, não renderam profissionalmente no Flamengo como renderam em outros grandes clubes? Foi a perdição do Rio de Janeiro, com noitadas, mulheres e bebidas? Ou teve algum outro motivo em sua opinião.
Parizzi: Na verdade quando se tiram garotos da base para o profissional é preciso que quem estiver fazendo isso saiba fazer. O garoto se empolga se encanta e isso acaba às vezes tirando a concentração e baixando seu rendimento. Geralmente são meninos de famílias pobres que começam a ganhar dinheiro sem ter o preparo psicológico necessário para que isso aconteça. Esses distúrbios acabam passando para dentro de campo. Se não tiver uma comissão técnica muito competente e experiente a coisa desanda. Isso aconteceu com vários desses nomes que foram citados. Depois, mais maduros, conseguiram render tudo o que podiam.
7 - BNRN: Parizzi,quando o jornalista Parizzi, faz um comentário, uma critica, enfim uma matéria sobre o Flamengo tem alguma "pitadinha" também de torcedor ou é apenas o profissional?
Parizzi: Boa pergunta. Sabe que só comenta futebol quem gosta de futebol. E quem gosta de futebol tem sempre seu time. Eu sou Flamengo e não escondo isso. Acho uma bobagem quem o faz. No começo eu tinha uma tendência a criticar, ser mais severo com meu time. Cobrava mais. Talvez o lado torcedor. Hoje em dia, depois de toda essa estrada, aprendi a dominar meus sentimentos e consigo separar o torcedor do comentarista, tranquilamente. Mas continuo sendo rubro negro igual à antes.